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Uma carta para quem continuou caminhando comigo...

24 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 24 de ago.

Mudança de Estação


Talvez você tenha percebido que andei mais quieta por aqui.

Mas não, eu não estava ausente.

Eu estava vivendo.

E foram tantas coisas acontecendo de novembro para cá que, para contar tudo, acho melhor você sentar, pegar um chá e ficar por aqui.

A fofoca é longa.

Eu estava a todo vapor. Trabalho em um escritório e, no contraturno e nos finais de semana, movimento este propósito que vocês já conhecem. Novembro chegou com alta demanda, e eu estava trabalhando mais de 12 horas por dia.

Até que precisei ir ao oftalmologista.

Pensei que fosse apenas cansaço. Afinal, passo muito tempo diante do computador: alimento o site, estudo, pesquiso e produzo conteúdos sobre natureza e práticas ao ar livre. Imaginei que estivesse sobrecarregada.

Estava.

Mas não era só isso.

Quinze dias depois, aconteceu uma cefaleia em salvas. Não desejo isso a ninguém. Veio a primeira ida à emergência. Depois, uma segunda crise. Oxigênio para amenizar a dor.

Uma semana depois, veio a a oclusão de ramo, a primeira hemorragia.

Depois, mais três.

E então aconteceu algo que talvez seja mais difícil de explicar do que qualquer diagnóstico:

Eu perdi minha liberdade.

A mulher acostumada a caminhar, pedalar, trabalhar, sair, conduzir, estudar e fazer acontecer passou a precisar ser cuidada.

E fui.

Minha pequena rede de afetos se mobilizou de um jeito que jamais vou esquecer. Géss, Lê, Miraci, Celeste e Belezinha foram guerreiros do amor. Estiveram perto, cuidaram, vigiaram e deram colo.

Deram tanto afeto que, em algum momento, eu só queria melhorar para recuperar um pouco de sossego e, principalmente, minha querida solitude.

Passei por junta médica, exames, cuidados e tudo aquilo que acompanha uma fase assim.

Os detalhes médicos eu vou poupar vocês.

Muito chato.

Mas, enquanto meu corpo pedia atenção, a vida também mudava de estação.

Minhas meninas cresceram.

De mãe solo, passei a ser mãe de grandes meninas. Elas cresceram, ganharam seus próprios caminhos e, aos poucos, a casa também deixou de fazer sentido para a mulher que eu estava me tornando.

Então me despedi.

Deixei muito axé naquele lugar.

Foram anos de vida, histórias, transformações e aprendizados. Espero que os novos moradores sejam tão felizes quanto eu fui ali e que aquela casa também possa lhes trazer mudanças profundas.

Talvez algumas estações da vida não sejam escolhidas. A gente simplesmente percebe, depois de algum tempo, que já está em outra.

Ainda estou cuidando da minha saúde. Aos poucos, recuperando minha liberdade, minha coragem e meu caminho.

E talvez seja justamente por isso que eu esteja aqui novamente.

Não para anunciar uma volta.

Mas para continuar.

Porque eu nunca fui embora.

Estava apenas atravessando uma estação.

E agora venho novamente ao encontro de vocês. E da natureza.

Quero voltar a conversar, trazer conteúdos, compartilhar descobertas, propor encontros, caminhadas e saídas. Voltar a conduzir essa conversa entre a natureza que existe lá fora e aquela que existe dentro de nós.

Mas em outro ritmo.

Com mais presença. Com mais escuta. Com respeito ao tempo de cada coisa.

Afinal, a natureza não tem pressa. Ela não pergunta se estamos atrasados. Ela simplesmente segue.

Floresce quando é tempo de florescer. Recolhe-se quando é tempo de recolher.

E muda.

Sempre muda.

Então, sejam bem-vindos.

Que a saúde seja bem-vinda. Que a natureza seja celebrada.

Peço licença para entrar na vida de quem chega até aqui, assim como abro minha porta para vocês.

O outono está terminando dentro de mim.

Talvez você também esteja atravessando uma mudança de estação e ainda nem tenha percebido.


E em você? Qual estação está vibrando?





 
 
 

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